Acceptus Noctifer
Album • 2008
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Acolhe-me nos teus famintos delírios de meretriz de raça infame... subsorve-me soturna e distante madrugada. Bafeja sob mim o cheiro húmido do pranto das crianças estropiadas, por esses carris dilacerantes. Acolhe-me nas entranhas da tua eternidade, nos espasmos sussurrantes da peste e da fome, que na tua altivez gesticulam em contradanças ao brilho de um fatal punhal... E me vazas os olhos de um ocre vermelho, num decrépito manto exangue. por toda a parte, o fogo errante, o ódio que ao estremo horror as coisas leva. Penetrante e estrídulo soa o horrendo pânico, nos sepulcrais lajedos, os fantasmas de todas as mentiras. A minha dor ai repousa na podridão do lodo, durmo nos abismos das mortas falésias. Na enregelada terra, numa hoste estranha, de gritos secos, fermento a minha alma em pântanos imensos, onde apodrecem todos os desejos distantes. Recebo a eterna recompensa - o processo invisível da minha ruína, o definhar dos meus membros até ao último grão de pó. A estranha eternidade, a atroz tortura, a minha penitência! Embalo-me em gritos sublimes, semelhantes ao de um agudo estertor, enquanto nos meus sonhos de cadáver o frio mortal da alma me alimenta... confidentemente...
Submitted by Finntroll — Apr 26, 2025
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