Claustrophobia
Recatados eflúvios que se revelam<br/> em abundante mijo.<br/> Grave menina,<br/> não demando a tua carne,<br/> apenas a ascosidade e tribulação.<br/> <br/> Tenra mas rotinada,<br/> a lançar pulso na carne<br/> que resvala intumescente<br/> entre vómito e saliva.<br/> <br/> Mordi-te em sangue,<br/> no teu sofrimento reside<br/> a engastada pronúncia da minha libido,<br/> os prazeres fundeados na consanguinidade.<br/> <br/> Logra a réstia da vida,<br/> engulipa o orgulho e a minha foda<br/> Fustiga-me em reverência,<br/> demonstra o teu nervo e ímpeto.<br/> <br/> Demudada pela recusante pertinácia,<br/> ultrajas-me com modos de rebeldia<br/> néscia e eloquente.<br/> <br/> Tesouro de enlevo feroz,<br/> avocas-me pelo instinto eversor<br/> de provocações e dor latejante.<br/> <br/> Oh! Requinte atroz do encante.
Submitted by Iron_Wraith — Jun 06, 2026
É nocivo recusar os ímpetos<br/> de tenaz desacerto e lascívia<br/> em imutável erupção.<br/> Instiga a irrisão renegar<br/> o assombro infligido<br/> pelo agreste sentir.<br/> <br/> É ódio ou infortúnio este ardor,<br/> todo o clamor descomedido<br/> em suores e tremores,<br/> em máculas e abismos,<br/> no desassossego bailante da dúvida.<br/> <br/> Destarte pertences-me<br/> num alvor de entrega total,<br/> sem alma mas em devoção carnal!<br/> Fustigo a veleidade de dispêndio,<br/> quero-te cruel na minha sanidade,<br/> golpeias-me de malícia<br/> e revela-se efectivo<br/> que nem chagas de sujeição<br/> <br/> E assim integras-me<br/> na encruzilhada de ser,<br/> em labirintos mascarados<br/> com cinza da flama que haurimos<br/> concretizando a minha posse por ti.
Submitted by Iron_Wraith — Jun 06, 2026
Esse coração era meu<br/> despedacei-o contra o tempo.<br/> Não há nada que me possa matar<br/> de que eu já não tenha morrido.<br/> <br/> Libei a morte em todas as cores<br/> mas continuo cinzento.<br/> Consagrei o peito à fatalidade,<br/> conselheira, alcoviteira,<br/> será minha consorte.<br/> <br/> Perduram as angústias<br/> e a inquietude constante<br/> desenfreada, impulsionada<br/> pela negação do meu jazer.<br/> <br/> Envido matar de morte sofrida<br/> com arrepios de anseios<br/> descobertos ao acordar,<br/> onde as sombras surgem sem corpo,<br/> onde o lume se consome no olhar.<br/> <br/> Será que destilarei os vapores da morte,<br/> com fervor cósmico?<br/> A morte é um suspiro de elegância<br/> de rasgada prematuração.<br/> <br/> De nada servirá o precato,<br/> nem enleado recato,<br/> sobre a tua cerceada existência,<br/> rudimentar conjugação de má sorte.
Submitted by Iron_Wraith — Jun 06, 2026
Rude tristeza<br/> que abarca o olhar<br/> de olhos inundados,<br/> trémulos como a chama, um círio,<br/> farol do imprevisível<br/> de abusos que se revelam,<br/> de traições que se rebelam.<br/> <br/> Içados ao sublime<br/> pelo meneio do estéril,<br/> de vaidade compulsiva<br/> e enferma de si mesma.<br/> <br/> Manifesto de um adeus solitário,<br/> rigidez arisca,<br/> cinismo de mil faces<br/> que arrebata em incandescência.<br/> <br/> Tormenta que inundas<br/> os sentidos perdidos,<br/> macerados numa teia de conspirações,<br/> num rio de palavras<br/> que desagua sem significado,<br/> gélido e sôfrego<br/> de um toque atento,<br/> de um golpe de intenção.<br/> <br/> Vidas entorpecidas de viver<br/> são sombras em corredor estreito<br/> da noite iluminada pela suspeita<br/> e vil memória que definha a carne.<br/> <br/> No silêncio, só o choro de quem desiste<br/> e logo então sabe que a alma não existe.<br/> O desespero tolhe a vontade<br/> que se agita em mudo e gritante infortúnio.
Submitted by Iron_Wraith — Jun 06, 2026
Portas entreabertas<br/> que não revelam o juízo<br/> cínico e amasiado com a libido.<br/> Respeito, euforia, que convergência!<br/> A lubricidade afoga a alma divina.<br/> <br/> Um golpe de intenção,<br/> assaltos de impaciência,<br/> ceifaram incautos cingidos a rectidão sofrível<br/> avultada por fervores d'índole má reputada.<br/> <br/> É o cheiro denso a clausura,<br/> o moto do contra-natura<br/> que invade, liberto, todos os cantos<br/> deste recanto de amor que se nega em ciclos.<br/> <br/> A indulgência d'um novo século,<br/> um mundo sem fim tolhido na sua exiguidade.<br/> Qual berço embalado na angústia<br/> e na agitação de quem se masturba, por fim.<br/> <br/> Paredes empilhadas de memórias,<br/> um chão manchado de ilustrações<br/> e missivas nocturnas de afazeres<br/> embriagados pelo despudor.<br/> <br/> Do alto da aparência oca,<br/> e diplomacias em cadeiras de veludo<br/> como os vestidos,<br/> rasgados, transpirados de açoites<br/> e olhares agrilhoantes.
Submitted by Iron_Wraith — Jun 06, 2026
Instrumental
Submitted by Iron_Wraith — Jun 06, 2026
Desnuda-te, em régia provação,<br/> arrazoa os crimes a serem cometidos.<br/> Carícias que fulminam, qual cicuta,<br/> e outras malícias latentes<br/> como eufemismos dolorosos.<br/> <br/> Perfídia no mais venusto trono<br/> incitante de avidez<br/> de disputas de ufania e exício.<br/> Ânsia madrasta,<br/> desfastio feroz.<br/> Carne grácil, negácia<br/> de volúpia e sangue<br/> que ferve e verte<br/> sabor férreo que se impõe<br/> ocupa os sentidos<br/> em deleite, num altar<br/> de delitos<br/> <br/> Em tu braceiro as ilusões ilustrações<br/> do meu iníquo íntimo.<br/> É básico o instinto,<br/> é brioso o desejo<br/> lamentando a sorte<br/> de momento tão fugaz.<br/> Impõe-se fatalidade<br/> que se vai, depois de vir<br/> em assombro,<br/> arreda-se após a procela.<br/> <br/> Brinda-nos agora com despudor,<br/> exalta-nos o ardor além-amor.
Submitted by Iron_Wraith — Jun 06, 2026
E tudo se esvanece no desencontro,<br/> ofusco-me no brilho da tua carne polida.<br/> <br/> Na dança das pétalas de perfume sentido<br/> e vezeiro embora vernáculo.<br/> Ora restrinjo-me ao abraço da saudade,<br/> macilenta, que refreia.<br/> <br/> E ao alcançar-te revejo-me em labirintos<br/> visão como agulhas que invadem<br/> em matéria do corpo.<br/> <br/> Mas tentado pela palidez marmórea<br/> ergo-me no cúmulo de te permear<br/> com avidez, que me esvazia.<br/> <br/> Entrego-me ao abismo<br/> instigado pela ausência que a tua dor<br/> completa e transpõe em sangue.
Submitted by Iron_Wraith — Jun 06, 2026
Artérias de ruas cegas<br/> de uma cidade imunda<br/> que desperta em silhuetas<br/> numa pálida madrugada intensa<br/> cuspida por ténues luzes.<br/> <br/> Inundada de odores de cio<br/> de putas vigilantes<br/> e sedentos olhares de cobiça,<br/> ofício de mil-artes.<br/> <br/> Rios de vómitos sulfúreos,<br/> o nojo comum em vala aberta<br/> e descoberta num desatento<br/> golpe de declínio.<br/> <br/> Enferrujados e estranhos maneirismos<br/> desequilibraram o efectivo<br/> num lamaçal de bizarras conjecturas<br/> e cinismo cimentado em cada esquina.<br/> <br/> Desfaz-te mundo<br/> nas minhas mãos,<br/> esgota-te em submissão<br/> entrega-te ao meu destino.
Submitted by Iron_Wraith — Jun 06, 2026